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quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

Conheça a Personagem [Kumi (Atualizado 01/2023)]

OLÁ TERRÁQUEOS, SAUDAÇÕES )0)

Sua alienígena favorita está de volta. Turu bom com vocês? Espero que sim -w-

Bem, como o título sugere, estarei fazendo um “Conheça a Personagem” com alguns personagens de ALQFDH, me aprofundando mais na história de cada um, - mostrando imagens de como eles eram - mas focando nos personagens só da primeira temporada, para não deixar o blog paradão de novo (desculpem por isso e.e'). Vou usar um gerador aleatório de números para isso e o primeiro número sorteado foi 34, ou seja, nosso querido Kumi!

Na versão original da história, ele se chamava Dark - uma completa ironia, já que ele é um leão... branco. Não me lembro de ter dado pais pra ele, mas na versão atual, ele foi adotado pela Kweli, uma das sobrinhas de Habi.

Versões antigas do Kumi:


Como foi que achei que pelagem acinzentada nas patas e barriga foi uma boa ideia para um personagem com pelagem branca?! E-enfim, Kumi mudou drasticamente na reescrita e para uma coisa um pouco melhor:


° |Básico| °

Nome: Kumi

Significado: Longo período ou belo (origem japonesa)

Apelido: Mimi, Mi, Minho, Guri

Idade: 7 a 12 anos humanos (durante a primeira temporada); 13 a 18 anos humanos (durante a segunda temporada)

Espécie: Leão; subespécie Leão sul-africano

Gênero: Masculino

Pronomes: Ele/Dele

Sexualidade: Bissexual

° |Personalidade| °

É um leão carismático e simpático, fácil de fazer amizades. Também é um completo tagarela e se distrai facilmente, acaba se metendo em enrascadas porque é ingênuo e acredita muito nos outros. Kumi também tem o estranho hábito de murmurar para si quando está nervoso ou animado (cof Izuku cof)

Citação pessoal: -

Gosta: Fazer amigos e passar tempo com Kweli, sua irmã mais velha.

Não gosta: Silêncio desconfortável (Como ele e a Safi acabaram juntos? Aquela ali tem a personalidade do Urso Polar, literalmente... Enfim, o poder do amor ¯⁠\⁠_⁠(⁠ツ⁠)⁠_⁠/⁠¯)

Qualidade: Kumi é um bom lutador e se dedica no que faz.

Defeito: Devido a cor de sua pelagem, Kumi não é muito bom em ser discreto.

Medo: Solidão. Chame de trauma de infância mas Kumi se lembra muito bem de como acabou em Anida.

° |Relacionamentos| °

Pais: Mzururaji e Abiria. Eram nômades e Abiria deu à luz quando estavam chegando em Anida, porém, foram atacados e mortos por forasteiros de Mauaji.

Irmãos: Kweli (irmã adotiva; mais velha)

Filhos: A ser desenvolvido

Interesse romântico: Safi

° |Cargo| °

° Buscador

° Guerreiro

° Plebe

° |Curiosidade| °

O nome antigo do Kumi era Dark. Irônico, visto que ele é um leão branco :v

° |História| °

Encontrado por Kweli na fronteira do reino ainda recém-nascido, Kumi foi adotado pelos moradores de Anida e principalmente por Kweli, que o recebeu de braços abertos como irmão caçula. Ele acaba crescendo um filhotinho simpático e carismático, que adora brincar e tagarelar. Eventualmente, na fase adulta, ele e Safi acabam se casando.

---------- Bem, é isso. A história dele (e muito provavelmente dos outros personagens também) vai ser bem vaga pra que vocês possam acompanhar o desenvolvimento de cada personagem comigo.

Also, essa postagem era pra ter saído em novembro, peço desculpas pela demora, mas estava com alguns problemas pessoais e o bloqueio criativo quase me impediu de postar.

Também queria dizer que, graças ao feedback de pessoinhas maravilhosas, resolvi criar um blog para postar minhas histórias de lobos. Talvez eu até crie um pra postar só as histórias que envolvem o Universo TLK Original pra não misturar com Anida... Se bem que, eu poderia usar o outro blog pra isso, né? Bem, fica a critério de vocês u-u

Por hoje é só. Espero que tenham gostado. Um beijo da Nathy, fiquem com Kami e bye -3-

segunda-feira, 10 de maio de 2021

Divindades [Guia dos Reinos - 3]

OLÁ TERRÁQUEOS, SAUDAÇÕES )0)

Sua alienígena favorita está de volta. Turu bom com vocês? Espero que sim -w-

Bem, o post de hoje que como sempre era pra ter saído um tempo atrás é sobre as tão famosas Divindades que protegem os Reinos. 

Nós ainda temos os Reis do Passado, calma, mas eles são mais vistos como... Seres que guiam os vivos. Confuso? Bom, as estrelas - que os animais veem como Reis do Passado - estão lá para orientar os animais, como o Mufasa e o Askari fizeram com o Kion em A Guarda do Leão.

As Divindades, por outro lado, são seres que basicamente foram criados para "cuidar" dos animais. E nós temos nove delas. Ahn, oito e meia, pra ser exata, vou explicar com o decorrer do post e.e'

Temos a Divindade Principal que criou as outras Divindades, Mkuu. Na verdade, ela teria guiado os espíritos deles, os leões que interpretaram de outra forma e acreditam que ela os criou. Ela seria a "deusa" da vida, proteção, sabedoria, força, céus e clima e criação. E, como a Kinga citou no capítulo cinco, Mkuu foi a primeira filhote natimorto da história de todos os reinos e é a única Divindade fêmea que tem juba. Como vocês sabem, leoas de juba são raras - principalmente no meu universo - então resolvi deixar só a Mkuu e a Endra como "jubadas". 

Bem, como eu disse, as Divindades seriam espíritos. Cada um morreu de uma forma diferente - gente, tá até parecendo a música "A Gorey Demise" do Creature Feature - e a Mkuu foi guiando os espíritos deles. 

A primeira Divindade que foi levada para os céus foi a Zera. Ela era uma leoa que teria morrido de velhice cercada por flores. Mkuu viu Zera como a mãe que nunca chegou a conhecer, portanto, a transformou em uma Divindade, mais especificamente, a Divindade da Beleza e da Natureza. Zera também controla as estações. É uma Divindade sarcástica e brincalhona, sem contar que a auto estima dela é a que eu queria pra mim. Ela não vê a beleza como algo estético e acha tudo que é simples bonito, como a beleza da empatia, felicidade, etc. Ela é aquela vovó que fala o que pensa e todo mundo ama, sabem? ;u;

A próxima Divindade é a Khalida. Khalida é uma King Cheetah e ela é a Divindade do Tempo e do Destino. Basicamente o Cronos - Cronos, deus do tempo, não Cronos o titã, embora os dois tenham a mesma figura - misturado com as Irmãs do Destino, Khalida morreu devido à caça ilegal com um tiro na cabeça. Mkuu, por achar que ela morreu cedo demais, deu outra chance de vida à felina transformando-a na Divindade que decide o destino dos vivos, sejam eles animais ou humanos. Quanto à questão do tempo, é a questão do tempo cronológico, não tempo climático. Ela decide quando o tempo (hora, no caso) de alguém acaba. Khalida é uma chita bem tranquila que passa maior parte do seu tempo na companhia de Bezalel. Também é uma chita direta, do tipo "Seu tempo de fala acabou". (badum tss)

O próximo é o Bezalel. Em vida, ele foi atacado por um bando de hienas. Mkuu decidiu dar a ele a oportunidade de se vingar, levando a morte para quem merecesse. É a Divindade da Morte e dos Espíritos. No geral, é um leão bem tranquilo, que raramente fala a não ser que falem com ele. Ele tem dois asseclas, Kutawala e Mimea. São basicamente o Timão e o Pumba, dois atrapalhados. Ele é a "personificação" da Morte e guia os espíritos. Quando alguma alma é julgada como má, Bezalel manda a alma para Machimo, minha versão de inferno. Quando uma alma é julgada como boa, Bezalel manda a alma para Mbinguni.

Kenyatta é o próximo. Ele era um canário que acabou morrendo em cativeiro. Mkuu decidiu que "você merece mais que isso" e pediu pra Bezalel guiar o espírito dele. É a Divindade das Músicas e Canções. Mkuu adora música, então Kenyatta foi uma boa adição às Divindades. 

As próximas Divindades são as gêmeas Mwana e Nidani. Nidani, em vida, era uma leoa séria que seguia regras sem hesitar. Ela morreu afogada, após cair de um penhasco num rio, enquanto lutava contra dois leões que a encurralaram. Ela não conseguia mais ver a luz, portanto suas escleras acabaram ficando pretas. Ela se tornou a Divindade dos Pesadelos e do Medo, trazendo terror a todos que merecessem. Mwana, por outro lado, era o oposto da irmã e quando soube que ela estava encurralada por outros leões, correu ao resgate, mas já era tarde, Nidani já tinha morrido. Mwana decidiu se entregar de boa vontade à Mkuu, se tornando a Divindade dos Sonhos e Coragem e Bezalel guiou os espíritos das gêmeas para Mkuu.

Nossa última Divindade é a Wafira. Ela nasceu em um reino pobre que não tinha praticamente nada de comida e acabou morrendo de fome na adolescência. Mkuu achou a forma que ela morreu injusta e deu outra chance para ela e foi assim que Wafira se tornou a Divindade da Fartura e Abundância, levando comida para os mais necessitados. 

Agora a nona Divindade... Como eu disse no capítulo quatro, tem uma gravura borrada na caverna das curandeiras e é assim em todos os reinos. A última gravura seria da Pesta, uma naja que morreu atropelada. Ela seria a Divindade que cuidaria das Doenças e Pragas mas se revoltou com a Mkuu pois não queria o título, porque só seria vista como uma criatura oportunista e má. Então, Pesta e Mkuu chegaram a um acordo e Pesta foi mandada para Mbinguni, por isso a gravura dela está borrada.

----------

Cá está, meus amores :3

Fiquem com isso por enquanto. Woosh, consegui postar com um mês e dois dias de diferença, quem diria? Bem, por enquanto, não tem imagem das Divindades, elas ainda estão sendo produzidas e eu provavelmente vou demorar horrores pra postar elas, já que uma das cachorras subiu no hack ontem e comeu a caneta da mesinha, junto com outras coisas que estavam no meu quarto. Detalhe: a caneta estava presa no suporte que vem com a mesinha, então desenhos no formato .Sai ou .PSD estão fora de cogitação por um tempo.

Por hoje é só. Espero que tenham gostado. Um beijo da Nathy, fiquem com Kami e bye -3-

quinta-feira, 8 de abril de 2021

Reinado de Scar [Prólogo]

As nuvens cobriam o céu nas Terras do Reino. As leoas, que estavam chorosas, se aproximavam da Pedra do Rei, onde Scar se preparava para dar seu discurso. O leão alaranjado mostrava um semblante triste e em seu rosto tinham resquícios de lágrimas.

- A morte de Mufasa é uma tragédia horrível. - Scar começa, notando as leoas soltando algumas lágrimas e lamentos tristes. - Mas perder Simba, que mal começou a viver... - fez uma pausa, olhando para baixo e forçando algumas lágrimas. Sua atenção logo voltou para as leoas. - Pra mim, é uma perda muito pessoal. - o leão se levanta da pedra que estava sentado e sobe a escadaria da Pedra do Rei. - E é com profunda tristeza que eu assumo o trono. - As leoas ouvem risadas se aproximando e logo um exército de hienas se aproxima, aglomerando-se em volta das leoas, que puxavam seus filhotes para mais perto. - Mas é das cinzas dessa tragédia que levantamos para saudar o alvorecer de uma nova era, na qual leões e hienas estarão juntos num grande e glorioso futuro.

Da ponta da Pedra do Rei, Scar solta um rugido, alertando todos os animais sobre o início de seu reinado. As leoas, agora preocupadas, se encaram. Sabiam que o destino do reino estava selado com Scar no trono, mas não podiam fazer nada sem desencandear sua ira.

Scar desce da Pedra do Rei e se dirige às leoas.

- Sarabi, comece a caçada. - o tom do leão tinha passado de triste para frio. - Temos várias bocas para alimentar agora. Vou começar a patrulha com as hienas. - o leão então se vira para Zazu. - Toda e qualquer atividade suspeita nas fronteiras do reino deverá ser relatada a mim. Se eu não estiver disponível, fale com Shenzi.

- E os filhotes? - indagou Sarafina, arqueando a sobrancelha e acariciando a cabeça de Nala. - Espera que os deixemos sozinhos quando a maioria de suas carniceiras está à espreita?

- Seus filhotes estarão seguros contanto que não me aborreçam. - Scar resmunga, virando de costas para as leoas. - Terão minha palavra que nenhum deles será ferido, mas que sejam mantidos na linha.

O leão se afastou, sendo seguido por algumas hienas. Sarafina encara Sarabi. A leoa tinha uma expressão preocupada, temia pelo bem de sua filha e do filhote que estava gestando e temia ainda mais pela saúde mental de Sarabi, afinal, a rainha tinha perdido o marido e o filho e seu cunhado não era mais o filhotinho brincalhão de antes.

- Vá para a caverna, Sarafina. - começa Sarabi, sorrindo tranquilizadora para a amiga. - Descanse, você precisa. Leve os filhotes com você. - a expressão triste de Sarabi não passou despercebida por Sarafina, mas a leoa não comentou nada. - Logo voltaremos com carne o bastante para você e para os filhotes.

- Se tem alguém que precisa descansar, Sarabi, é você. - Dwala, irmã de Sarabi comenta. - Acabou de perder seus bens mais preciosos. E, por mais que não queira, você tem que descansar. - a leoa bate a pata no chão. - Você e Sarafina vão para a caverna. As outras e eu caçaremos hoje.


[...]


Dois meses haviam se passado desde a morte de Mufasa e o reino ia de mal a pior. As hienas, esfomeadas, espantavam a maioria das hordas de herbívoros. Quando as leoas conseguiam alguma comida, sediam para seus filhotes.

Era mais uma manhã sombria quando o sono de Scar foi interrompido. O leão tinha ouvido o bater das asas de Zazu, que entrou na caverna e aguardava o despertar do rei. Abrindo os olhos, Scar bocejou e se espreguiçou, então se levantou e caminhou até a ave.

- Conte as novidades, Zazu. - começou, franzindo a testa. Se tinha algo que Scar odiava era ser acordado. - E seja rápido.

Zazu faz uma reverência breve e pigarreia, levando a asa à boca.

- Majestade, as hordas se afastaram ainda mais do reino. - A ave estremece ao ouvir Scar rosnar, mas continua seu discurso. - Tudo está se tornando escasso rapidamente.

Scar passa por Zazu, que alça voo e segue o rei. 

- O que mais? - Scar estava entediado. Queria começar sua patrulha o quanto antes agora que tinha acordado. - Você geralmente tem algo a mais para comentar, Zazu. - O pássaro não responde por alguns segundos, pensando na resposta. Scar, não gostando de ser ignorado, rosna novamente, dessa vez, mais alto. - Fale logo. Não tenho paciência para jogos, sabe muito bem disso!

Zazu engole em seco.

- Não...devo opinar em como você governa, Scar. - Zazu plana ao lado de Scar. Podia ver nitidamente a cicatriz na sobrancelha do leão. Estufando o peito e ganhando uma breve onda de coragem, a ave continua. - Mas deveria controlar a quantidade das caçadas. Boa parte das leoas está prenha, não seria sensato fazê-las se esforçar.

Scar bufa e passa pelo calau, saindo da caverna e descendo a escadaria da grande pedra. 

- Tem razão, Zazu. - comentou, sem olhar para trás, ganhando um olhar surpreso do pássaro azul. - Não deve opinar em como governo meu reino.

Zazu suspirou. Não podia negar que, pelo menos, havia tentado. Se sentindo derrotado, Zazu alçou voo.

Enquanto isso, Scar se reunia com as hienas. Shenzi, que o aguardava, abre um pequeno sorriso. 

- Relatório, Shenzi. - o leão começa, sentando-se e bocejando. 

- Há relatos de uma leoa vagando as fronteiras do reino. - Shenzi começa. A hiena estava ansiosa, queria a permissão do rei para espantar a forasteira. Com um pouco de sorte, poderia até matá-la. - Foi vista a última vez perto do olho d’água. 

Scar arqueia a sobrancelha. 

- Parece um pouco... animada com isso, Shenzi. - comentou, abrindo um pequeno sorriso. - Não vamos matá-la até sabermos o que ela quer aqui.

Shenzi estava um pouco decepcionada mas não contestou. A hiena apenas reuniu um pequeno grupo de escolta para Scar e o leão e o grupo seguiram para o olho d’água para procurar a dita leoa.

[...]

Scar e seu grupo estavam procurando a leoa invasora há algumas horas. Tinham parado para beber água, quando o rei sentiu um cheiro adocicado vindo de algumas moitas. O leão de juba preta se aproximou lentamente. Ao chegar perto das moitas, Scar afastou a folhagem com cuidado. Se fosse um herbívoro, Scar seria rápido o bastante para abatê-lo.

Para a surpresa do rei, era uma leoa. Seu pelo era marrom caramelo e uma pequena franja descansava em sua cabeça. Scar devia tê-la encarado por um tempo, pois a leoa estava acordando e, ao ver o leão, se colocou em uma posição defensiva. Com a mudança de posição da leoa, Scar pôde notar a barriga dela. 

- Lugar estranho para descansar. - ele arqueia a sobrancelha. - Ainda mais no seu estado. O que faz aqui?

- E-eu só precisava descansar um pouco, estou vagando há dias e... - Scar a corta. 

- Precisa descansar e comer algo. - diz, dando espaço para a leoa sair da moita. Só agora, com um pouco mais de claridade, o leão tinha notado o tom azulado dos olhos dela. - Saia, não vou machucá-la.

A leoa, relutante, sai da moita, dando de cara com várias hienas, que a encaravam com fome.

- Você e sua prole estão sob a proteção das Terras do Reino e sob minha proteção, Rei Scar. - Scar diz com orgulho, alto o bastante para as hienas ouvirem, recebendo um pequeno sorriso da leoa, que o reverencia em seguida. - Por favor, levante-se. Não há necessidade disso.

As hienas ficaram confusas. Nunca viram Scar agir de tal forma com nenhuma leoa do reino. Por quê ele agiria assim agora, ainda mais com uma forasteira?

- Diga-me, qual seu nome? - o leão indaga, pondo-se ao lado da leoa. 

- Heneia, majestade. - ela responde, sorrindo gentilmente, exibindo sem querer suas sardas. - Peço desculpas por invadir seu reino. 

- Apenas Scar está bom. - Scar responde, começando a caminhar na direção da Pedra do Rei, sendo seguido por Heneia e as hienas. - E não tem que pedir desculpas, fez o que foi preciso para manter-se à salvo. - Scar olha por cima do ombro e mostra um sorriso pequeno. - Perdoe minha indelicadeza, mas o que houve com seu parceiro?

- Para o bem dele, espero que tenha caído de um penhasco. - respondeu a leoa, franzindo a testa. - Serviu apenas para me emprenhar e fazer promessas vazias e, assim que anunciei a gravidez, ele espalhou para meu antigo reino que eu o tinha traído e me trocou por outra leoa. 

Scar alargou levemente os olhos. A resposta de Heneia certamente o surpreendeu.

- Que tipo de leão seria estúpido o bastante para deixar uma leoa bela como você escapar? - indagou retoricamente, notando o pelo da bochecha da leoa enrubrecer levemente. - Será bem vinda para ficar aqui o tempo que quiser, Heneia, contanto que possa contribuir para o reino. Quando seus filhotes vão nascer?

- Posso participar das caçadas depois que me recuperar do parto, majestade. Era a caçadora principal do meu reino. - Heneia responde com orgulho, fazendo Scar sorrir. - Vou dar à luz em breve, muito provavelmente semana que vem.

- Minhas leoas vão recebê-la de braços abertos, tenho certeza. - ele responde, mantendo o sorriso. Sabia que se as leoas não obedecessem seus desejos ele faria algo contra os filhotes. 

Os dois logo chegam a Pedra do Rei. Scar manda Banzai guiar Heneia até a caverna e explicar a história para as leoas.

Assim que chegaram na caverna, foram recebidas por Sarabi. A rainha sorriu gentilmente para Heneia e soltou um rosnado baixo para Banzai. 

- Scar tem uma nova adição para seu grupo de caça. Ela está para dar a luz, como deu pra notar, e ele insistiu que ela fosse bem recebida. - a hiena começa, revirando os olhos para Sarabi. - Heneia, essa é Sarabi, a rainha. Scar também pediu pra você explicar as regras do reino a ela. 

- É só isso, Banzai? - a rainha indaga. Não estava nem um pouco satisfeita com a aparição da hiena, ainda mais com filhotes por perto. - Se isso for tudo, pode se retirar. 

Banzai faz o que Sarabi pede. Não queria ficar perto da leoa, ainda mais depois de ter entrado em várias brigas com ela com o passar dos meses.

- Bem, já fomos apresentadas. - a rainha voltou a sorrir gentilmente. - Espero que Scar não tenha lhe causado nenhum problema.

- Ah, não. Pelo contrário, majestade. - Heneia começa, retribuindo o sorriso. - Ele foi muito gentil.

Sarabi arregala os olhos. "Scar, gentil? Impossível!" A surpresa da rainha não passa despercebida por Heneia.

- E-Ele não é assim normalmente? - Heneia estava confusa. O rei lhe parecia um leão tão gentil. Claro, estava cercado por hienas, mas a leoa pensava que eram sua guarda pessoal, um método para manter forasteiros afastados. 

- Scar está longe de ser um leão gentil. - Sarafina, que ouvira a conversa, comenta enquanto se aproxima. - O reino está em ruínas graças a ele. Sugiro que seja cautelosa perto dele, querida. 

- Sarafina. - Sarabi diz em tom de alerta, fazendo a leoa de pelo claro se calar. - Mas ela está certa, Heneia. Deve ser cautelosa perto de Scar. - a rainha encara a leoa marrom com uma expressão preocupada. - Ficar com Scar é como ficar perto de ovos de avestruzes. Ele é imprevisível, raramente está satisfeito com algo e, se ele foi gentil, como você disse, deve ficar em alerta. - Heneia agora estava preocupada. Só queria o melhor para seus filhotes, mas parecia ter se metido em uma enrascada enorme. - Mas estará segura conosco. Tome apenas cuidado com Zira e suas seguidoras.


[...]


Era uma madrugada de tempestade quando Heneia começou a sentir contrações. A leoa tinha acordado Sarabi, que reuniu as outras leoas e mandou Zazu buscar Rafiki. A pobre ave mal precisou avisar o mandril sobre o que estava acontecendo. Rafiki pegou seu cajado, algumas ervas medicinais e os dois partiram rumo à Pedra do Rei. 

Quando chegaram, Rafiki fez Scar, as hienas algumas leoas e os filhotes ficarem do lado de fora enquanto ele, Sarabi, Sarafina e Naanda ajudam a leoa em seu parto.

Já tinham se passado algumas horas, mas o filhote não saía. Rafiki agora estava mais preocupado com o bem estar de Heneia do que com os filhotes, até que, enquanto um raio caía fora da caverna, Heneia soltou um rugido de dor e logo o filhote nasceu. O pequeno não demonstrava sinais de vida, não miava. Com cuidado, Rafiki pegou o filhote e, usando uma casca de coco com água, o mandril limpou todo o sangue que o cobria e o entregou para a mãe.

- É uma menina. - diz ele, abrindo um sorriso triste. - Mas está fraca, Heneia. Talvez não sobreviva até o amanhecer.

Heneia franze a testa, mas logo solta um rosnado de dor. Sarabi e Naanda ficam ao lado de da leoa.

- Rafiki? - a rainha indaga preocupada, pegando a filhote de Heneia e a entregando para a irmã. - O que está...

- Tem mais um! - o mandril interrompe, se preparando para a chegada do próximo filhote. 

Heneia estava quase desmaiando de dor. Sua cabeça girava e sua visão estava embaçada, mas ainda assim, a leoa fez força e depois de mais alguns rugidos de dor, o segundo filhote nasceu. Este filhote estava mais alerta, miava e farejava. Rafiki, que antes exibia um semblante triste, agora mostrava um semblante mais feliz.

- Mais uma menina, Heneia. Essa está mais forte. - o mandril sorri e limpa a segunda filhote. Naanda coloca a primeira filhote nas patas de Heneia e Rafiki, que tinha terminado de limpar a segunda, a coloca ao lado da primeira.

A leoa de pelo marrom encara as filhotes com um pequeno sorriso no rosto, então as lambe. Heneia deixa seu olhar repousar na filhote mais velha, que solta um miado baixo. Com cuidado, a mamãe de primeira viagem esfrega seu focinho na barriga da pequena, que põe a pata dianteira no focinho da leoa e mia novamente, dessa vez mais alto.

As três leoas e o mandril arregalam os olhos.

- Uma guerreira! - Rafiki sorri, batendo palmas levemente. - Os Reis nos deram uma guerreira!

Antes que Rafiki pudesse comemorar mais, Scar entra na caverna, seguido pelas hienas. O rei passaria direto por Heneia se não tivesse notado a pequena bola de pelos marrom-alaranjada que estava nas patas da leoa. Parando na frente de Heneia, Scar observa os filhotes. A mente do leão corria, formando um plano para Heneia e sua prole. Ele abre um sorriso falso e se senta.

Heneia, que tinha se distraído enquanto lambia as filhotes, não tinha notado a aproximação de Scar, que agora estava inclinado para frente, olhando diretamente nos olhos da filhote alaranjada, que o encarou com curiosidade.


- Devo dizer, Heneia. - começou, alargando o sorriso e assustando levemente a leoa. - Meus parabéns. Sua prole parece...saudável.

- Scar. Sim, são saudáveis. - a leoa gagueja. Ainda estava exausta, mas tentava agradar o leão, afinal, não queria que ele descarregasse sua fúria em suas filhotes.

- Já decidiu algum nome? - o leão indaga, se erguendo novamente, notando a filhote alaranjada erguer a pata para tentar alcançá-lo. 



- A mais nova, de pelo creme, se chamará Kidogo. É a menor das duas. - a leoa começa, sorrindo para Scar, que arqueia a sobrancelha, aguardando a leoa terminar. - N-não achei que teria mais de um filhote, acabei não pensando em um nome reserva. Gostaria de...me ajudar a escolher?

Scar pensa um pouco. Sua mente vagou brevemente para sua infância.

“- Quando eu for rei e me casar, minha filha vai se chamar Nafsi, Sarafina! - o pequeno Taka sorri orgulhoso. - Ela vai ser a alma gentil do reino, vai trazer coisas boas onde for!

- Que nome mórbido, Taka. - a leoa de pelo creme resmungou, torcendo o focinho. - Pois quando eu tiver uma filha, o nome dela vai ser Nala. Tenho certeza que ela vai ser a Rainha de algum reino.”

- Não sei se minha sugestão vai agradá-la, Heneia. - começou, franzindo a testa e virando o rosto. O leão estava hesitante pela primeira vez em anos. - Quando era mais jovem, queria que minha primeira filha se chamasse Nafsi. Do meu ponto de vista, ela seria uma alma gentil.

Ao contrário do que Scar pensou, a reação de Heneia foi diferente da reação de Sarafina. A leoa, ao invés de fazer uma careta de nojo, sorriu.

- Deve ter um significado importante para você, Majestade. Será Nafsi, então. - Heneia vê um pequeno sorriso surgir no rosto de Scar e o leão vai para o centro da caverna. As hienas o seguem e se deitam, formando uma pilha atrás do rei.

Não demora muito para que as leoas e os filhotes entrem também. Tama, Tojo, Kula e Chumvi se reúnem em volta de Heneia, parabenizando a leoa.



Nala, que seguia Sarafina, torce o focinho ao ver as recém nascidas e corre até sua mãe, que deitou-se e logo deu banho na filha. A barriga da leoa já estava grande e em algumas semanas, seu segundo filhote nasceria. Uma das últimas leoas a entrar na caverna foi Zira. Tinha descoberto recentemente que estava grávida, mas Rafiki tinha alertado que sua gravidez era de risco e talvez seu filhote não vingasse. Passando por Heneia e revirando os olhos, Zira foi deitar-se ao lado de Scar, lambendo a bochecha do macho, que virou de costas para ela.

Era assim desde que ele descobriu o risco da gravidez: ele a ignorava. O rei via o filhote como um elo fraco, um filhote sem futuro que morreria assim que nascesse. E o ódio que Scar semeava pelo filhote acabou passando para Zira.

Rafiki, que estava na entrada da caverna vendo a troca de interações, estremece. Sabia que Zira tinha ficado amarga com as notícias de seu filhote e esperava que a leoa não tentasse nada com os outros filhotes. À essa altura, a tempestade tinha parado e o mandril decidiu voltar para sua árvore, agradecendo aos Reis por terem dado uma chance à pequena Nafsi.


[...]


Algumas semanas já tinham se passado desde o nascimento das filhotes. O filhote de Sarafina também tinha nascido. Ele era pequeno, mas estava saudável, para surpresa de todos. Com as poucas semanas que passaram, o reino se desintegrou mais. As hordas tinham se afastado quase completamente, as hienas estavam mais ansiosas e as leoas estavam mais protetoras.

Scar tentava agradar suas seguidoras e as leoas ao mesmo tempo, sem sucesso. Zira exigia que Scar passasse tempo com ela e seu filhote não nascido e o leão evitava a todo custo. Ele observava o reino da ponta da Pedra do Rei, aproveitando os poucos raios de sol que surgiam por entre as nuvens. A pedido de Heneia, o leão tinha cedido sua antiga caverna de ratos para os filhotes terem onde brincar. Hienas eram proibidas de chegar perto de lá sem a supervisão de alguma leoa.

Heneia. Scar não negava que sentia alguma coisa pela leoa. Sabia que não era apenas sua fome de poder e controle falando e amor era algo que o leão não queria sentir, então...o que era? Os pensamentos de Scar vagam até que ele ouve passos. Ergueu a cabeça e olhou por cima do ombro, vendo a leoa de seus pensamentos carregando uma perna de zebra. Scar se levanta e se aproxima da leoa, que coloca a carne no chão, aos pés do leão.

- Consegui guardar um pouco pra você. - comenta a leoa, desviando o olhar. - Shenzi disse que queria falar comigo. 

Scar começa a comer, ignorando brevemente a leoa. Após terminar, sua atenção volta para Heneia, que arqueia a sobrancelha. A leoa estava desconfortável. Raramente ficava sozinha com o rei por muito tempo.

Scar arruma a postura.

- Não está com problemas, Heneia, se é isso que está pensando. - começa, virando de costas para a leoa e caminhando de volta para onde estava deitado antes. Scar olha por cima do ombro e arqueia a sobrancelha. Heneia se aproxima com cautela. - Vai ser minha rainha. 

- O-o que? - os olhos de Heneia se alargam. Como ele poderia pedir, não, exigir algo assim? - Não pode...

- Não é negociável. - respondeu frio, olhando para a base da Pedra, gesticulando para algumas hienas, que agora, se aproximavam. - Vai ser minha rainha e ponto final. Quero um herdeiro e o filhote de Zira será fraco, provavelmente vai morrer. Os filhotes mais velhos não vão servir, não treinam, apenas brincam o tempo todo. - Scar rosna baixo e vira seu olhar para Heneia. - Sem contar que as mães não confiam em seus filhotes perto das hienas. Você, por outro lado, confia em deixar suas filhas com Shenzi, mesmo que seja por pouco tempo. - Fez uma pausa, voltando o olhar para o horizonte cinzento. - Sarafina e você tiveram filhotes quase ao mesmo tempo, mas Mheetu é pequeno e frágil. Suas filhotes, pelo que o macaco disse, superaram as expectativas dos Reis e estão fortes. Três herdeiros são melhores que nenhum. 

Heneia ouve alguns risos histéricos. Olhando por cima do ombro, ela vê as hienas que Scar tinha chamado. “É um ultimato.” Heneia engole em seco.

- Por...por que eu, de todas as leoas? - indaga a leoa marrom, baixando as orelhas. - Por que não Sarafina, ou Zira, o-ou Dwala, ou Naanda? 

- Amanhã vamos rugir para anunciar nosso reinado. - ele a ignora e ela suspira. O leão passa um dos braços em volta dos ombros de Heneia, abrindo um sorriso sínico no processo. - Você não pode recusar, Heneia. Não é minha vida que está correndo risco, pense nas suas filhas. 



Heneia se afasta de Scar, que mantém o sorriso. 

- Não ousaria. - ela rosna e mostra as garras.

- Não, claro que não. - ele responde, dando um passo na direção de Heneia. - As hienas, por outro lado, estão com fome. - Heneia recua e vira o rosto. - O povo precisa de um pouco de esperança, Heneia. E Sarabi não vai se juntar a mim então...sugiro que aceite de boa vontade.

A leoa de pelo marrom recua alguns passos e começa a correr, passando pelas hienas. Até o momento, ela tinha conseguido manter uma fachada relativamente neutra e segurar as lágrimas, agora, enquanto sentia o vento bater em seu pelo, a leoa deixou as lágrimas fluírem. Heneia apenas parou de correr quando trombou com Sarabi.

- Heneia, o que aconteceu? - a leoa estava preocupada, nunca tinha visto Heneia chorar.

- Scar, ele... e-ele quer... - as palavras não saíam e Sarabi, em resposta, abraçou a leoa marrom, deixando-a chorar em seu ombro até que ela se acalmasse. Depois de alguns minutos, quando estava mais calma, Heneia respirou fundo. - Scar me quer como rainha. Foi um ultimato. Ele ameaçou as meninas, e-e-eu entrei em pânico.

- Não é sua culpa, Heneia. Qualquer leoa submetida a essa situação entraria em pânico. - Sarabi sorri levemente, secando as lágrimas da leoa gentilmente com a pata.

- Eu não aceitei. E-e não recusei. Ele quer anunciar a união amanhã. - Heneia franze a testa. - O que eu vou fazer? Deve haver um jeito de burlar isso.

Sarabi suspira.

- Você...não vai ter outra escolha, Heneia. A menos que algum milagre caia dos céus, terá que aceitar, pelo bem de suas filhas, eu sinto muito. - Sarabi estava furiosa com Scar. Como ele ousa tratar Heneia e suas filhas como meros objetos?! - Posso tentar falar com ele, mas o conhecendo, sei que não mudará de ideia por nada.

- Não pode fazer nada, Sarabi? - Heneia estava desesperada e suas lágrimas ameaçavam voltar. - Como rainha, quer dizer. Não há nada que possa fazer?

Sarabi nega com a cabeça e Heneia suspira. 

- S-se for a vontade dos reis, que assim seja. Cumprirei meu destino. - Sarabi abraça Heneia uma última vez e as duas leoas vão para a caverna.


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OLÁ TERRÁQUEOS, SAUDAÇÕES )0)

Sua alienígena favorita está de volta. Turu bom com vocês? Espero que sim -w-

Tá aqui essa bagaça u-u

Uma parte de um dos capítulos já tá escrita há um tempo. E com esse post, quero deixar algumas coisas explicadas sobre minhas ideias finais pra esse...remake. É basicamente um Universo Alternativo, pra começar. Muita gente já fez suas próprias versões do Reinado de Scar com suas próprias OC's, mudanças de eventos, etc. e eu não ficaria de fora. Como eu já disse no post anterior, uma das coisas que eu mudei foi o fato do Scar querer a Nala como rainha e aqui fica explicado de uma forma melhor o porquê disso. 

Scar vai sentir uma atração pela Heneia, mas não o tipo atração obsessiva que a Zira tem por ele. Vai ser aquela atração "você age como minha mãe, vai ser minha protegida". E apesar de ele ser um leão cruel, ele não vai machucar os filhotes. Ele tem pavio curto e ameaça? Sim. Mas matar os pequenos é algo que ele não faz. 

Scar também vai fazer acordos com outros reinos, como casamentos arranjados e leoas para haréns de reis pra "se livrar" de leoas que o irritam. Os filhotes das leoas acabam indo junto das mães. Às vezes eles morrem, às vezes não.

Heneia, Kidogo e Nafsi não vão ser as únicas OC's que vão aparecer, estejam cientes. 

Bom, acho que é só isso por enquanto...

Por hoje é só. Espero que tenham gostado. Um beijo da Nathy, fiquem com Kami e bye -3-

terça-feira, 16 de março de 2021

Planos pro Blog + Pequena Análise sobre TLK

OLÁ TERRÁQUEOS SAUDAÇÕES )0)

Sua alienígena favorita está de volta. Turu bom com vocês? Espero que sim -w-

Bem, pelo título, vocês já sabem do que esse post se trata, certo? Mas calma, não vou parar o blog. Não pretendo, pelo menos. Vamos falar sobre meus planos pro blog.

Pra começar, eu sou uma pessoa que se distrai facilmente. E com isso quero dizer basicamente que, obviamente, se eu acho alguma coisa interessante, minha atenção passa unicamente pra essa coisa por um tempo. Seja desenhar, escrever, jogar... Já deu pra notar o que aconteceu, né? Eu me distraí com jogos e o blog ficou parado por um tempo, aí eu escrevi uma postagem, terminei um capítulo - que era pra ter saído depois do capítulo dois de Riverlands Rivalon - e, se eu não tivesse tido essa ideia, o blog ficaria parado de novo.

Então, pra garantir que o blog não fique morto, resolvi impor pra mim mesma algumas metas pro blog:

* Terminar o Guia dos Reinos sobre as Divindades - é autoexplicativo, pra ser franca. Tenho que terminar de desenhar elas e depois terminar a postagem. Pra resumir, são nove Divindades e meia - vou explicar melhor no post delas - e a Dede e eu, apesar de termos decidido o que cada uma vai fazer, não decidimos exatamente como elas vão ser. Quer dizer, obviamente, elas vão ser os animais citados no capítulo 4 de Anida, mas não decidimos qual vai ser a aparência exata de cada uma.

* Terminar a reescrita de Anida - mais um tópico autoexplicativo. Meu objetivo principal é terminar a reescrita e pôr um fim digno ao meu legado mais antigo. Uma das ideias que eu tive foi fazer a reescrita ter, pelo menos, dez ou quinze capítulos focados na infância das meninas. Depois, cinco ou seis focados na adolescência delas e, por último, uns vinte capítulos focados no reinado da Akili e do Hakuwa e nos filhos deles. 

* Terminar de escrever Riverlands - preciso explicar? Bem, Riverlands está parada devido ao meu bloqueio criativo, obviamente e uma das minhas metas é continuar escrevendo ela mais pra frente. Talvez depois de terminar Anida. Lembram quando eu disse que uma guerra poderia acontecer mas que não seria possível porque Mauaji sairia perdendo? Pois é... Estão cientes que a Endra foi expulsa de Wishar, não é? Bem, como os tios da Endra expulsaram ela, não teria motivo pra ter uma trégua entre Wishar e Anida - ou entre Wishar e os outros reinos, com exceção de Mauaji - , afinal, que tipo de tios expulsariam a sobrinha - próxima na linha de sucessão ao trono, graças a morte dos pais - pra que os próprios filhos subissem ao trono? Entenderam onde eu quero chegar? Uma guerra pode acontecer entre os reinos e vocês, caros leitores, seriam obrigados a sentar e assistir no caso ler seus personagens favoritos ficarem feridos e possivelmente morrer, tudo enquanto vocês comem pipoca e tomam refrigerante.

* Começar oficialmente O Reinado de Scar - como assim "começar oficialmente"? Bom, comecei a escrever o prólogo esses dias e já tive várias ideias para o desenvolvimento da história. Principalmente uma para explicar a saída da Nala do reino. Não, não tem nada a ver com o curta que foi tirado do filme original, onde o Scar escolheria a Nala como rainha. É algo totalmente diferente, na verdade. Scar não vai estar a procura de uma nova rainha, afinal, ele já vai ter a Heneia. Basicamente, Nala e Nafsi vão brigar feio. Não direi o motivo, pra não dar spoilers, afinal, só comecei o prólogo, não a história.

* Começar as histórias dos outros reinos - acho que deu pra notar que todos os reinos tem histórias interligadas pelo fato de a Endra aparecer e pelo fato da Amilika, da Kwaida e do Dhaifu - que são filhotes de Mauaji - terem aparecido também. Eu me inspirei no blog da Catylenne pra essa ideia. O blog dela é antigo e tá abandonado, mas as histórias são boas, então sugiro que deem uma passadinha lá.

* Terminar os desenhos que comecei - esse é bem clichê mesmo, mas a maioria dos desenhos de TLK relacionados às histórias não foram terminados. Quer dizer, a maioria é .png e já tá concluído, mas os que são .SAI ou .psd não estão nem perto da conclusão. Isso e também tem os desenhos tradicionais que estou fazendo no meu curso. Sim, eu voltei pro curso de desenho e sim, estou me cuidando quando saio e chego em casa. Como meu curso é só uma vez por semana - ou seja, sábado - eu tenho tempo livre a semana inteira, então vou tentar, apenas tentar, pôr as postagens em dia durante a semana. Me conhecendo, não vou estipular uma data certa pra postar pra não decepcionar vocês.

Outra coisa que eu queria fazer, aproveitando meu tempo livre, é traduzir o The Lion King: Six New Adventures que a Hta disponibilizou no blog dela. Meu inglês não é dos melhores ou piores, mas dá pro gasto e, como ela mesma disse, ninguém nunca traduziu os livros aqui pro Brasil, então...por quê não, né?

Mas pra isso, quero a sincera opinião de vocês aí nos comentários ;u;

Ah, também parei pra analisar umas coisas sobre TLK ontem e só agora caiu minha ficha de que o Kovu não é um adulto completo. Vocês já devem ter percebido isso, mas minha ficha só caiu mesmo ontem, então ainda tô processando o assunto.

Kovu e Kiara teriam seus 16 pra 18 anos quando a Zira põe o plano dela em ação. A juba do Kovu ainda tá na área do pescoço/clavícula. Já a juba do Simba quando ele volta pra enfrentar o Scar já tá na área da barriga. A falta de crescimento da juba do Kovu pode indicar a falta de alimentação por ele ser exilado, mas, parando pra pensar, o mesmo devia ter acontecido com o Simba, afinal, ele só comeu insetos enquanto estava com o Timão e o Pumba e, embora insetos tenham proteínas, não acredito que sejam o bastante pra satisfazer um carnívoro de porte grande.

Então, tecnicamente, o Kovu e a Kiara ainda estariam na adolescência, só que indo pra fase "jovens adultos" quando pararam a guerra, ou seja, a juba do Kovu não estaria 100% formada, tanto pela falta de comida, quanto pelo fato de ele não ser adulto. 

E se o Simba e a Nala, no 1º filme, tiveram a Kiara enquanto rolava o "Nesta noite o amor chegou", tecnicamente segundo a lógica, eles também estariam na fase "jovens adultos" com seus...18, 19 anos e eu não acho que o Simba fosse deixar a Kiara perto do Kovu nessa idade, pra ela não engravidar "cedo demais", como a Nala engravidou. E se não me engano, as leoas atingem a maturidade sexual com 1 ano, ou coisa assim, já os machos, com 2 anos.

Claro, o ciclo de gestação das leoas é diferente dos humanos, mas basicamente seria isso.

Ainda mais se levarmos em consideração a teoria do Kopa, que ele teria morrido por um ataque da Zira e por descuido do Simba e o Simba se sentisse culpado. Aí, essa culpa se transformou em super proteção em relação a Kiara. Então, faria sentido o Simba não querer a Kiara perto do Kovu, fora o fato de ele ser um exilado e se levarmos em consideração também que o Kovu já tem um começo de juba no começo de TLK 2, ele seria algumas semanas ou meses mais velho que a Kiara, portanto, faria sentido a Nafsi ser mãe dele na minha versão.

E também faria sentido a Zira falar que ele foi o último que nasceu antes dela e as outras seguidoras do Scar serem exiladas.

Edit [12/2022]: Nathy escreveu esse post quando estava caindo de sono depois de passar a noite em claro, então desculpem os erros ortográficos. Estou trabalhando pra melhorar a qualidade das postagens.

Por hoje é só. Espero que tenham gostado. Um beijo da Nathy, fiquem com Kami e bye -3-


sexta-feira, 12 de março de 2021

Roar from Within: Contos de Anida [Cap. 4 – Onde Caminhos se Cruzam]

O território de Anida se abriu diante deles como uma promessa.

A luz da tarde deslizava entre as folhas largas das árvores, espalhando manchas douradas pelo chão. O ar era mais úmido, carregado de aromas de relva fresca, flores e água distante. Para Kami, aquilo parecia um sonho materializado.

Anida? — ela murmurou, inclinando a cabeça enquanto observava tudo ao redor. — Nossa viagem valeu mesmo a pena... é mais bonito do que eu imaginei.

Walimu caminhava ao lado dela, os olhos atentos, absorvendo cada detalhe.

— Vocês sabem se os reis estão aceitando novos membros? — perguntou. — Nascemos nas fronteiras de Dugani... nossa família é nômade. Estávamos procurando um lugar para ficar.

Akili e Kisai trocaram um olhar breve, silencioso.

— Sinceramente? — responderam juntas. — Não sabemos.

— Podemos perguntar ao príncipe — comentou Wami, com um sorriso travesso. — Ele ficou bastante cativado com a Akili, não ficou? — provocou, erguendo as sobrancelhas. Akili revirou os olhos.

Os trigêmeos ergueram as orelhas ao mesmo tempo.

— Só precisamos encontrá-lo — completou Wazi. — Vocês buscam sua família e nós vamos atrás do príncipe. Encontramos vocês aqui em meia hora.

Antes que alguém respondesse, rugidos ecoaram.

Não eram próximos... mas eram fortes o suficiente para fazer o chão vibrar sob suas patas.

Kami foi a primeira a diminuir o passo, as orelhas erguidas, a respiração curta.

— Parece com o rugido do papai...

— E com o da Wonaji — acrescentou Mwezi, já sentindo o estômago se fechar.

— Tem mais alguém ali — murmurou Jioni.

Safi franziu o focinho.

— Isso não é bom.

Sem dizer mais nada, os filhotes mudaram de direção e correram pela trilha estreita entre os arbustos. À medida que se aproximavam, os sons ficavam mais claros: rosnados, passos pesados, o estalar nervoso da vegetação sendo pisoteada.

Quando alcançaram a clareira menor à beira do caminho principal, se enfiaram entre as moitas, observando em silêncio.

Wonaji e Kinga estavam no centro da passagem, os corpos posicionados como barreira viva. À frente delas, quatro leões adultos ocupavam a trilha com a segurança de quem não pretendia sair.

— Não me façam repetir — rosnou Wonaji. — Caiam fora.

O que parecia liderá-los avançou um passo. Seu corpo escuro era sólido, a juba espessa moldando-lhe a cabeça como uma coroa torta, e havia nos olhos dele uma satisfação silenciosa em desafiar aquele território.

— Não sairemos até termos uma audiência com os reis.

Kinga avançou meio passo, o pelo eriçado, o tom da voz baixo e perigoso.

— Vossas majestades chegam a qualquer instante. Um único rugido de alerta basta para chamar metade do reino.

Os três companheiros dele se ajustaram em formação.

À direita, um leão de juba clara, quase dourada, observava tudo com cautela, o vento mexendo em sua juba como se quisesse afastá-lo dali. Logo atrás, dois irmãos de jubas marrons, ambos atentos, calculistas, um mantendo o corpo alinhado como um soldado, o outro observando em silêncio cada detalhe da cena.

Os filhotes se entreolharam, o medo se espalhando lento.

Foi então que os rugidos de Thadi ecoaram mais próximos.


O rei surgiu entre a vegetação, Habi logo atrás, Kamilla e Askari fechando o flanco. O espaço se estreitou. O ar ficou pesado.

— Agora não é hora de bancar o rei, Jafari — disse um dos irmãos de juba marrom, firme. — Não é nosso território.

O líder rosnou, mas foi contido por uma pata pousando em seu ombro.

— Não cause mais problemas — continuou o irmão. — Há filhotes aqui.

Habi ergueu as orelhas.

— Filhotes?

Antes que alguém respondesse, Kami, Walimu e Hasa romperam o esconderijo e correram para junto do leão escuro, enfiando-se entre suas patas.

— Papai!

O leão estremeceu.

— O que estão fazendo aqui?! — ele rosnou, mas sua postura suavizou.

— Não queríamos que você se machucasse, papai — disse Kami. — E... elas disseram que talvez os reis nos concedessem um lar.

Habi observou as sete filhotes que agora surgiam do esconderijo.

Akili se adiantou, curvou a cabeça.

— Peço desculpas, majestade. Não sabíamos que a família deles estava tão perto.

Habi sorriu.

— Não é culpa sua, pequena.

O ar ao redor deles se aliviou da tensão.

— Serão bem-vindos — declarou ela —, contanto que ajudem nas patrulhas.

Jahari se apresentou. Jawari sorriu nervoso. Jabari inclinou a cabeça. Jafari manteve o olhar firme.

Habi então organizou o reino como um tabuleiro em movimento.

— Kinga, Kamilla, levem os filhotes para a caverna  — disse ela, mantendo a postura firme, vendo as duas leoas assentindo antes de guiarem os filhotes para longe. — Wonaji, mostre as fronteiras. Askari, acompanhe-os. Nyusi trará o relatório da patrulha mais tarde.

Wonaji partiu na frente sem dizer uma palavra.

O corpo dela avançava rígido pela trilha de terra clara, a cauda tensa, as orelhas inclinadas para trás num ângulo que só quem a conhecia bem reconheceria como sinal de conflito interno. A luz do fim de manhã atravessava as copas, mas nada parecia aquecer o caminho que se formava entre ela e os quatro leões que a seguiam.

Askari veio por último. Não por ordem — por instinto.

Jawari foi o primeiro a quebrar o silêncio.

— Ela é sempre assim? — Perguntou, observando as costas de Wonaji, a juba clara ondulando ao vento. — Intimidadora, digo.

Askari demorou a responder.

— Você se acostuma... eu acho. — Um sorriso breve e sem graça surgiu em seu rosto. — Levei alguns anos.

Jawari ergueu as sobrancelhas.

— Alguns anos? — Riu, surpreso. — Então vocês se conhecem há bastante tempo.

Askari abriu a boca... e fechou de novo.

— Eu... acho que sim — o tom saiu inseguro. Como se aquela certeza não morasse inteira nele. — Tive um período de amnésia — completou, mais baixo. — Algumas coisas do meu passado... ainda não voltaram.

Jawari apenas murmurou um “oh” compreensivo, mas o olhar dele já havia retornado para Wonaji. A leoa caminhava como se estivesse em outro mundo. O focinho levemente erguido, o olhar distante.

Jahari, que observava tudo em silêncio, percebeu.

Ele trocou um olhar com Jabari.

Jabari deu de ombros.

Jawari suspirou e apressou o passo, aproximando-se de Wonaji.

— Não sou exatamente bom em ficar fora da vida alheia — começou, num tom quase amistoso —, mas acho que você e o gigante gentil ali atrás têm... história.

Wonaji parou e virou-se devagar.

— O quê?

— Você ouviu.

Ela piscou, claramente arrancada de seus pensamentos.

— Isso está no passado.

Jawari inclinou a cabeça, um sorriso enviesado surgindo.

— Engraçado... porque a tensão entre vocês dois está no ar.

O maxilar de Wonaji se contraiu.

— Não existe tensão.

— Você é uma péssima mentirosa.

Ela mostrou os dentes.

— Escute, erva-daninha — rosnou, avançando um passo —, meu humor não está bom hoje. Então cale a boca antes que eu arranque todos os seus dentes e faça você engolir cada um.

Jawari congelou e então piscou. — Fui ameaçado de morte por curiosidade.

— O que você fez? — Jabari pergunta, se aproximando.

— Meu dom natural — resmungou Jawari. — E ela me chamou de erva-daninha.

Askari observava tudo com um sorriso nervoso.

— Ela... tem essas explosões.

— Isso se chama tensão acumulada — murmurou Jawari.

— Jawari — advertiu Jabari.

— Só estou dizendo — ele ergueu as patas dianteiras em falsa rendição. — Mais cedo ou mais tarde isso vai explodir.

Jafari passou por eles, sério.

— Ignore-o. Geralmente só tem ideias idiotas.

— Minhas ideias não são idiotas! — protestou Jawari.

Mas já era tarde. Wonaji seguia à frente.

[...]


O interior da caverna era mais fresco do que a savana lá fora.

A luz do dia entrava em feixes largos pelas fendas na rocha, iluminando o chão de pedra, os ninhos improvisados de palha e as marcas antigas pintadas nas paredes — símbolos do reino, histórias que ninguém mais parava para ler, mas que ainda observavam todos em silêncio.

Os filhotes ocupavam o espaço como um pequeno universo em movimento.

Risos, perseguições curtas, pequenas discussões que morriam antes de virar briga.

Akili e Adanna corriam perto da entrada, desviando de Kumi e Utay, Mwezi, Safi, Wami e Wazi se revezavam num jogo estranho que ninguém mais parecia entender, Elimu permanecia mais próximo de Kinga, sentado, observando — os olhos atentos, a respiração curta.

Kamilla caminhava de um lado para o outro, mantendo o grupo sob vigilância — a contragosto dela, diga-se de passagem.

Foi então que Habi surgiu na entrada da caverna.

As duas leoas ergueram a cabeça ao mesmo tempo.

— Majestade — disseram em uníssono.

Habi respondeu com um aceno leve, o semblante carregado por algo que não era exatamente cansaço.

— Desculpem a demora — disse ela. — Thadi e eu conversamos. Chegamos à conclusão de que não é seguro deixar todos esses filhotes sem responsáveis fixos por tanto tempo.

Kinga franziu a testa.

— Concordo.

Kamilla inclinou a cabeça.

— O que pensaram?

Habi respirou fundo antes de responder.

— Algumas das adolescentes que já encerraram o treinamento de caça poderiam cuidar deles durante o dia. Ou talvez... duas de suas aprendizes, Kinga.

Kinga ficou em silêncio por um momento, calculando.

— Cuidar de sete filhotes não é tarefa leve — disse, por fim. — Talvez dividir o grupo. Kweli pode cuidar de três. Chemchemi pode assumir as outras quatro.

— Kweli ficará animada — murmurou Habi, pensativa. — Vou falar com Wonaji quando ela voltar.

— Voltar? — Kamilla arqueou a sobrancelha. — Onde ela foi?

Habi soltou uma risada baixa.

— Thadi pediu que ela mostrasse o reino aos novos leões... com Askari.

Kamilla e Kinga trocaram um olhar imediato.

— Pelos Antigos — murmurou Kamilla. — Acha que foi uma boa ideia?

— Se nós sentimos a tensão entre eles, os forasteiros também sentirão — completou Kinga.

— Só posso torcer para que Wonaji não os mate — Habi suspirou.

Kamilla riu, apesar da preocupação.

— E Nyusi?

— Logo trará o relatório.

— Aquele pardal ainda não se aposentou? — A leoa marrom resmungou, seu focinho se torcendo em descrença.

— Todos nós fizemos essa pergunta.

As três riram brevemente — e o riso ecoou na caverna como uma coisa frágil demais para o peso do que estava se formando ao redor do reino.

Enquanto isso...

Kisai observava tudo em silêncio.

Sentada à sombra, afastada da agitação, a filhote de pelagem escura assistia às amigas brincarem e aos adultos decidirem seus destinos como peças sobre um tabuleiro.

O pensamento martelava sua mente:

Por que um rei aceitaria sete filhotes órfãs?

E antes que alguém pudesse notar sua ausência, Kisai se levantou e deixou a caverna.


[...]


O sol já estava mais alto quando Kisai alcançou a área de treinamento.

A relva ali era curta, pisoteada por incontáveis exercícios, e o chão de terra avermelhada carregava marcas de garras e pegadas sobrepostas. O vento trazia o cheiro de suor, poeira e concentração.

Kisai se esgueirou até a sombra de uma pedra grande e se agachou, os olhos atentos.

No centro da clareira, cinco adolescentes treinavam.

A leoa que as orientava não era Wonaji.

Era mais velha, de porte largo e postura calma, com a pelagem num tom de areia dourada, quase pálido, marcada por cicatrizes finas nas pernas e no ombro esquerdo. Tinha uma franja curta e espessa que emoldurava seu rosto com fios mais escuros, e seus olhos — um verde profundo, atento — não perdiam nada do que acontecia ao redor.

Kisai já a tinha visto no reino algumas vezes antes e, se estivesse correta, Nerasha era o nome dela.

Kweli saltava sobre uma pedra elevada, aterrissando de forma precisa. Ela se parecia com Habi: pelo dourado, com o tufo de sua cauda era alaranjado. Seus olhos verdes eram o único diferencial.

— Mais alto, Kweli — disse Nerasha. — Sua presa não vai te esperar metade do tempo que você espera o chão.

Kweli respirou fundo e tentou novamente, dessa vez com mais impulso.

Mais adiante, Vuli estava escondida na relva alta, o corpo baixo demais, hesitante. Sua pelagem era marrom escura, quase preta, com um dos caninos inferiores para fora da boca e rachado ao meio. Quando deu um passo, Kisai notou que ela mancava.

— Vuli — chamou Nerasha —, sua desvantagem é o que vai fazer a presa te subestimar. Guarde energia. Espere o erro dela.

Vuli assentiu, ajustando a postura.

Nzuri e Majira treinavam juntas, avançando em sincronia sobre uma pedra que simulava um gnu ferido.

— Vocês duas trabalham bem em conjunto — disse Nerasha —, mas cuidado. Confiança demais vira ruído. Na caçada real, um segundo de hesitação mata.

As duas confirmaram em silêncio.

Mais afastada, quase imóvel, Kito observava um pequeno grupo de zebras à distância, caminhando em círculos largos, estudando cada movimento.

Nerasha a analisou por um momento e então assentiu, satisfeita.

— Kito... está fazendo um ótimo trabalho. Continue assim.

Kisai observava tudo como quem grava mapas dentro da cabeça.

O posicionamento.

O ritmo.

A forma como cada leoa usava o próprio corpo.

Ela mal percebeu quando a relva atrás de si se moveu.

Apenas o cheiro diferente fez sua orelha girar.

Um tufo de pelos amarronzado se aproximava em passos cautelosos.

Kisai bufou de propósito.

A coisa parou.

Sorrindo para si mesma, a filhote deslizou para a relva alta e começou a contornar o “predador”.

— U-ué... pra onde ela foi? — murmurou Hasa, erguendo a cabeça e olhando em volta, claramente confuso.

Kisai se aproximou em silêncio absoluto, depois disparou e saltou, derrubando Hasa na grama.

— SOCORRO! — ele gritou. — ELA VAI ME DEVORAR!

O grito fez Nerasha e as cinco adolescentes virarem ao mesmo tempo.

Kisai rolou para o lado, impassível.

— Eu não como porcaria.

Hasa fez uma careta ofendida.

Nerasha aproximou-se, observando os dois.

— Kisai, não é? — Disse ela, a voz baixa, avaliadora. — Você deveria estar na caverna.

— Estava entediada — declarou a filhote.

Hasa coçou a nuca, envergonhado.

— E-eu a vi sair...

— Claro que viu — resmungou Kisai, balançando a cabeça.

Nerasha cruzou o olhar com Kweli, que segurava o riso.

— Fim do treino — a mais velha declarou. — As caçadoras saem em breve.

Nerasha voltou-se para Kisai.

— Você observa como uma leoa adulta.

Kisai deu de ombros. — Gosto de aprender rotas de fuga.

Um sorriso breve surgiu no rosto marcado de Nerasha.

— Continue assim — disse, se virando para sair.

As adolescentes começaram a se dispersar, mas Kisai permaneceu no lugar, observando-as arrumar as próprias coisas: alongando as patas, sacudindo a poeira do pelo, trocando comentários baixos e cansados.

Kweli foi a última a se aproximar dela, ainda respirando fundo do esforço.

— Você não corre mal pra alguém do tamanho de um filhote — comentou, com um sorriso leve.

— Não corri — Kisai respondeu. — Observei.

Kweli riu.

— Isso também é uma forma de treino.

Hasa, ainda se recompondo da “emboscada”, sentou-se ao lado de Kisai.

— Por que vocês treinam tanto assim? — perguntou ele. — Parece mais sério que as aulas normais.

Nzuri, que passava por perto, ouviu a pergunta e parou.

— Porque não é treino comum — explicou. — É preparação para a nossa primeira caçada.

Majira aproximou-se também, com a cauda balançando devagar.

— Daqui a três dias, partimos — completou. — Sem os filhotes. Sem as aprendizes. Só nós e algumas caçadoras experientes para observar.

Vuli se juntou a elas, o olhar distante.

— É o rito de passagem dos Reinos — disse. — A forma como provamos que estamos prontas para a vida adulta.

— Temos que trazer dois búfalos — explicou Kweli. — É tradição. Um é oferecido à Grande Mkuu, como agradecimento e pedido de proteção... e o outro é para o reino.

Os olhos de Kisai se iluminaram.

— A oferenda é para Mkuu?

Kweli confirmou.

— Sempre. Porque tudo o que somos vem dela. Se falharmos, temos que esperar três luas e tentar de novo.

Kito, que observava à distância, acrescentou em voz baixa:

— Antigamente, quem falhava era marcada e expulsa por um ano.

Kisai engoliu em seco.

— E se alguém se machuca? — Perguntou num tom incerto.

— A caçada é interrompida — respondeu Majira. — Se alguém morre... o reino entra em luto. Um dos gnus é deixado para Mkuu, e o outro vai para a família da leoa.

O silêncio caiu por alguns segundos.

Kisai sentiu algo diferente se firmar dentro do peito — não medo, mas respeito.

— Suas tradições são... intensas — murmurou ela.

Kweli sorriu.

— São o que mantém tudo unido.

Pouco depois, as adolescentes se despediram e seguiram seus caminhos, deixando Kisai e Hasa sozinhos na clareira.

Kisai olhou para o céu por um instante, pensativa, e então virou-se.

— Vamos voltar pra caverna.

[...]


A caverna estava mais silenciosa quando Kisai entrou acompanhada de Hasa. Muitos filhotes brincavam ao fundo, mas seu foco encontrou Kinga quase de imediato, sentada perto de Elimu, examinando-lhe a pata com cuidado.

Kisai aproximou-se devagar.

— Com licença, tia Kinga.

Kinga ergueu o olhar, surpresa — e então sorriu.

— Claro, pequena. O que foi?

Kisai hesitou por meio segundo.

— Você poderia me explicar sobre a Grande Mkuu? E sobre os costumes do reino?

Kinga piscou, genuinamente surpresa. Dificilmente os filhotes queriam saber sobre as lendas antigas.

Elimu conteve uma risada.

— Você a quebrou.

— Como assim “quebrei”? — Kisai perguntou, confusa.

— Ela raramente fica sem resposta — Elimu explicou, tossindo logo depois.

Kinga soltou uma risada baixa.

— Eu fico feliz que queira aprender, Kisai. É uma história longa... mas importante. Vamos para a caverna das curandeiras. Lá é mais tranquilo — disse a mais velha com um pequeno sorriso curioso. — Quem te contou sobre tudo isso?

Kisai sentiu o coração acelerar de expectativa.

— Kweli comentou algo hoje mais cedo — respondeu. — Posso... chamar as outras?

— Claro, querida — Kinga assentiu.

E Kisai correu para buscar as outras seis.


[...]


A caverna das curandeiras estava fresca e silenciosa, perfumada por ervas secas e resinas queimadas lentamente em pequenos círculos de pedra. Pinturas antigas cobriam as paredes, leões, estrelas, luas e símbolos que as filhotes ainda não sabiam nomear.

Kinga guiou o grupo até uma área mais afastada e sentou-se. As sete filhotes formaram um semicírculo diante dela, como se estivessem prestes a ouvir um segredo que o mundo vinha guardando há gerações.

Elimu deitou ao lado da mãe, já prevendo que a história seria longa.

— Tudo o que vocês veem em Anida — começou Kinga —, nasceu de um reino muito mais antigo, que já não existe da forma como foi criado. Antes dos Reinos, antes das fronteiras, antes até mesmo das primeiras chuvas... havia apenas um casal de reis.

Ela ergueu a pata e apontou para uma pintura na parede: um leão de pelagem marrom-alaranjada e uma leoa de tom vinho, deitados sob um céu escuro e repleto de estrelas.

— Eles aguardavam a chegada do primeiro filhote. Quando a filhote nasceu, a rainha quase morreu. Os Espíritos dos Antigos Reis a salvaram... mas a pequena não resistiu.

As filhotes se aproximaram mais, os olhos fixos na imagem seguinte: o pequeno corpo da filhote cercado por leões em luto.

— Os Antigos Reis, com pena, concederam uma segunda existência àquela filhote. Mas não na Terra. Ela ascenderia aos Céus... e ali se tornaria algo maior.

Kinga deslizou a pata até outra pintura.

Uma leoa de pelagem negra, juba branca e marcas vermelhas no rosto rugia contra uma tempestade.

— Essa é a Grande Mkuu. Divindade da Vida, da Proteção, do Clima, da Criação e da Sabedoria. Quando chegou aos Céus, já tinha o corpo de uma adulta e a juba de um macho como símbolo de força e guarda. Por isso é a mais poderosa entre as divindades.

— Foi ela quem criou tudo? — murmurou Mwezi.

— Não tudo — respondeu Kinga. — Mas quase.

Ela apontou para uma nova pintura: um leão escuro, duas leoas e um guepardo, todos cercados de símbolos diferentes.

— Primeiro, surgiu Bezalel, Divindade da Morte e dos Espíritos. Ele foi um leão mortal que se apaixonou por Mkuu quando ela visitou a Terra. O reino dele o matou por esse amor... e ela o trouxe para os Céus, transformando-o em divindade.

Kisai sentiu um aperto estranho no peito.

— Depois vieram Khalida, Divindade do Tempo e do Destino. Mwana, Divindade dos Sonhos e da Coragem. E Nidani, sua irmã, Divindade dos Pesadelos e do Medo.

— E por que criá-los? — perguntou Wazi.

— Porque nenhuma força, nem mesmo uma deusa, deve carregar o mundo sozinha.

O silêncio da caverna se tornou pesado, mas não desconfortável — era reverente.

— Cada reino, cada tradição, cada rito — Kinga continuou —, é um reflexo dessa criação. Quando Kweli te falou da oferenda a Mkuu, Kisai, não era apenas costume. É lembrança. É gratidão. É promessa.

Akili engoliu em seco.

— E se alguém quebrar essas promessas?

Kinga encarou as filhotes por um momento mais longo do que o necessário.

— Então o mundo cobra seu preço.

Por alguns instantes, nenhuma das filhotes falou.

O silêncio da caverna não era vazio: ele pulsava com a presença das pinturas, com o cheiro das ervas, com o peso de tudo o que havia sido dito.

Foi Wazi quem quebrou o silêncio.

— E... as outras divindades ainda olham por nós?

Kinga inclinou a cabeça, escolhendo as palavras.

— Sempre. Mas de formas diferentes. Bezalel guia os espíritos após a morte. Khalida tece os caminhos do que pode e do que não pode acontecer. Mwana protege os sonhos, a coragem e as promessas feitas no coração. Nidani... — a curandeira suspirou — Nidani sussurra os medos, os avisos, aquilo que tentamos ignorar.

— E Mkuu? — perguntou Kisai, a voz baixa, mas firme.

— Mkuu observa tudo. Quando o céu muda, quando a chuva cai no momento exato, quando uma caçada dá certo ou uma jornada encontra abrigo… é ela lembrando aos Reinos que ainda estão sob sua guarda.

Elimu se mexeu ao lado da mãe.

— E os reis? — Murmurou. — Eles falam com elas?

— Não diretamente — respondeu Kinga. — Os reis falam com os Reinos. As divindades... falam com o mundo.

Kisai abaixou os olhos para as próprias patas.

Durante toda a sua vida, o mundo fora apenas uma jaula, depois uma estrada, depois o medo constante de desaparecer. Agora descobria que fazia parte de algo muito maior — algo que existia antes dela e continuaria depois.

— Então o rito de passagem das caçadoras... — começou Jioni.

— É uma forma de se apresentar ao mundo — completou Kinga. — E de dizer às divindades: estamos prontas para carregar nosso papel. 

A caverna parecia respirar com elas.

Do lado de fora, o som distante do reino seguia vivo: o vento entre as pedras, os chamados das aves, o riso distante de filhotes.

Mas aqui dentro, naquele instante, sete filhotes começavam a entender que Anida não era apenas um lugar seguro — era um ponto de equilíbrio em algo muito maior e muito mais frágil do que qualquer uma delas imaginava.

Kisai ergueu a cabeça.

— E se alguém… não estiver pronto para carregar esse papel?

Kinga sorriu, mas havia tristeza em seus olhos.

— Então a história dessa pessoa ainda não terminou de se escrever.

Um silêncio longo se seguiu.

Não era um fim. Era uma promessa.


[...]


O cheiro da carne chegou antes do som.

Veio em ondas quentes, atravessando a caverna das curandeiras e fazendo os estômagos das filhotes reclamarem quase ao mesmo tempo. Safi ergueu o focinho, as orelhas tremendo; Wami engoliu em seco; Akili soltou um “hhmm” baixo que fez Kisai sorrir de canto.

— As caçadoras voltaram — murmurou Elimu.

Kinga confirmou com a cabeça.

— Hora de comer. E de sair do mundo dos deuses e voltar ao dos vivos.

As filhotes se levantaram, ainda um pouco silenciosas demais para quem, minutos antes, estava aprendendo sobre divindades, morte e destino. Ao deixarem a caverna, a luz da tarde bateu em seus olhos e o reino de Anida se abriu novamente diante delas.

O centro da clareira estava em movimento.

Leoas se reuniam em torno das presas abatidas, dividindo carne, chamando filhotes, organizando a partilha. As caçadoras mais jovens andavam com o peito estufado, exibindo pequenos cortes e marcas de poeira como medalhas invisíveis. Entre elas, algumas das adolescentes que Kisai vira treinando mais cedo trocavam risadas cansadas.

As sete filhotes se aproximaram, mantendo certa distância — ainda não sabiam bem onde se encaixavam naquele ritmo de reino.

Então Wonaji surgiu do meio do grupo.

O corpo ainda marcado de poeira da caçada, os músculos tensos, o olhar atento. Ao vê-las, parou. Por um instante, seus olhos dourados suavizaram.

Ela arrastou um grande pedaço de carne para fora da pilha e o deixou diante das pequenas.

— Podem atacar, meninas.

Houve um segundo de surpresa... e depois, alegria.

As sete se aproximaram, mordendo, puxando, rindo com a boca cheia. A fome que carregavam desde a manhã se dissolveu ali, sob o céu aberto de Anida.

Foi Kisai quem notou a mudança no ar.

Askari se aproximava, seguido por Euclásio... e atrás deles vinham os quatro irmãos forasteiros — Jabari, Jafari, Jahari e Jawari. Os quatro andavam cansados, mas atentos, observando tudo como quem tenta memorizar um território inteiro de uma vez.

Eles pararam diante de Thadi e Habi.

— Majestade — disse Askari. — Temos notícias sobre o forasteiro visto na fronteira.

As filhotes mastigavam devagar agora, atentas demais para crianças que deviam apenas comer.

— Fale — respondeu Thadi.

— As gazelas afirmam que ele foi visto próximo à divisa com Rivalon. Acreditamos que venha de Wishar. Talvez esteja procurando abrigo... talvez não.

— Ele pode chegar ainda esta noite — completou Euclásio.

Habi pensou por um momento.

— Então é melhor estarmos preparados. Se houver risco, vocês três montam uma emboscada. Sem provocação desnecessária. Só contenção.

Os leões confirmaram com a cabeça.

Kisai engoliu em seco.

Um forasteiro.

Rivalon.

Wishar.

Os nomes soavam pesados demais para quem, dias antes, só queria brincar de pique-alto.

Quando os adultos se afastaram, Kisai empurrou sua parte da carne para longe.

— Já volto — murmurou, sem esperar resposta.

E, silenciosa como a floresta que ainda carregava dentro de si, a filhote de pelagem negra se afastou, seguindo a curiosidade que sempre a guiava.

Kisai caminhou sem pressa, mas com atenção.

O sol já começava a inclinar, alongando as sombras das acácias e pintando o chão de tons dourados e laranja. O reino parecia calmo demais para alguém que acabara de ouvir falar em emboscadas e forasteiros.

Ela atravessou a área próxima ao lago, onde alguns leões descansavam depois da caça, e seguiu em direção às árvores mais densas que marcavam o início da floresta. Quanto mais se afastava da clareira central, mais os sons do reino ficavam para trás, substituídos por grilos, pássaros e o farfalhar constante da vegetação.

Kisai gostava daquele limite — o ponto em que Anida deixava de ser território e começava a ser mundo.

Foi ali que ela ouviu o rosnado.

Baixo. Distante. Errado.

Ela congelou.

As orelhas se moveram devagar, tentando localizar a origem. Outro rosnado respondeu, mais próximo desta vez, seguido de risadas estridentes.

Hienas.

Kisai tinha ouvido falar delas e visto algumas perto do acampamento dos cultistas. Sarnentas e com fome.

A filhote se abaixou instintivamente e se esgueirou entre os arbustos, aproximando-se com cuidado. O cheiro ácido das hienas chegou antes da visão delas.

Quando finalmente viu a cena, o coração de Kisai apertou.

Duas hienas adultas cercavam três filhotes de leão — nenhum deles muito maior do que ela. Um deles, com o início de uma juba curta e desgrenhada, tremia visivelmente, mas mantinha o corpo à frente das duas fêmeas, tentando protegê-las.

— Deixem a gente em paz! — ele gritou, a voz falhando.

As hienas gargalharam.

— Olha só, tentando ser bravo — disse a maior, avançando e empurrando o filhote com uma patada que o jogou contra o chão. — Eu adoro quando o jantar implora.

— Dhaifu! — A filhote de pelagem marrom clara correu até ele, tentando ajudá-lo a se levantar.

— Por que não enfrenta alguém do seu tamanho?! — rosnou a outra filhote, de pelo mais escuro, mostrando as garras.

As hienas riam... até que o mundo pareceu estremecer.

Um corpo marrom despencou do alto de uma árvore, aterrissando entre os filhotes e as hienas como um trovão vivo.


O leão tinha uma juba curta e densa que emoldurava o rosto, olhos firmes e postura de quem não estava ali para discutir.

— Que tal me enfrentarem — rosnou —, e deixarem esses filhotes em paz?

O silêncio caiu.

— Uma... fêmea? — zombou a hiena menor. — Uma fêmea com juba?

— Que piada — completou a outra.

A leoa apenas suspirou... e rugiu.

O rugido ecoou pela floresta como uma ordem antiga.

As hienas recuaram, as risadas morrendo no ar.

— Saiam do reino — disse a leoa, avançando um passo. — Agora.

As hienas engoliram em seco e fugiram.

Só então Kisai percebeu que estava prendendo a respiração.

A leoa virou-se para os filhotes.

— Vocês estão bem?

Eles assentiram, ainda em choque.

— De onde vieram?

O macho — Dhaifu — respirou fundo.

— De Mauaji.

Os olhos da leoa se arregalaram levemente.

— Mauaji? Vocês atravessaram tudo isso sozinhos?

— Não tinha mais comida lá — disse a filhote caramelo, a voz baixa. — A terra… secou. Os rebanhos sumiram.

— Cruzamos as pontes — completou Dhaifu. — Achamos que talvez encontrássemos ratos... alguma coisa...

A leoa fechou os olhos por um instante.

— Esperem aqui.

Minutos depois, voltou com restos de uma gazela. Os três comeram como se o mundo estivesse acabando.

— Foi a melhor refeição que tive em semanas — disse Dhaifu, a boca suja de sangue seco.

— Obrigado… tia…

— Endra — respondeu a leoa. — Agora voltem para casa. O caminho é longo demais para andarem assim.

Eles a abraçaram nas patas e correram floresta adentro.

A leoa observou os três filhotes se afastarem até sumirem entre as árvores. O sorriso em seu rosto foi desaparecendo aos poucos, substituído por um suspiro longo e cansado.

— Lá se vai meu jantar... — murmurou a contragosto, passando uma das patas pela barriga, que respondeu com um ronco discreto. — Eu realmente preciso parar de me meter em problemas que não são meus.

Ela ergueu a cabeça e olhou ao redor, farejando o ar.

— Aracnídeo? Cadê você?

Kisai, ainda escondida entre os arbustos, franziu a testa.

Aracnídeo?

Antes que pudesse refletir sobre o nome estranho, sentiu algo em suas costas.

Algo com muitas patas.

A filhote congelou por meio segundo — o tempo exato para sentir o objeto se mover.

Então, ela gritou.

— TIRA ISSO DE MIM! TIRA ISSO DE MIM!!

Kisai disparou em círculos descontrolados até quase colidir com a leoa marrom. Endra arregalou os olhos, confusa, até notar a criatura pendurada no pelo da filhote.

— Ei, ei, calma! — Endra se aproximou com cuidado e segurou Kisai pelo ombro, puxando-a para perto de si. — Ele não vai te machucar.

Com a outra pata, Endra guiou a criatura para fora do dorso da filhote. A coisa desceu tranquilamente, como se não tivesse acabado de provocar um quase ataque cardíaco.

Kisai recuou dois passos, o coração quase pulando pela boca.

— ISSO TINHA OITO PATAS.

Endra piscou.

— ...Sim?

— E olhos. Muitos olhos.

A mais velha soltou uma risada curta. — Esse é Aracnídeo.

Kisai encarou a criatura, agora parada entre folhas e galhos, e depois voltou o olhar para Endra, genuinamente alarmada.

— O que é isso?

Endra piscou de novo.

— Você... nunca viu uma aranha?

Kisai hesitou, depois balançou a cabeça.

— Nunca. — A resposta veio sem vergonha, apenas com estranheza.

Endra ficou em silêncio por alguns segundos, avaliando a filhote à sua frente com mais atenção.

— Estranho — murmurou. — Isso é bem incomum.

Kisai encolheu os ombros.

— Nunca vi uma... dessas coisas. Nem aquele tipo de macaco grandão ali — acrescentou, apontando vagamente para o alto das árvores, onde um mandril observava tudo com curiosidade.

Endra seguiu o olhar da filhote e sorriu de canto.

— É um mandril. Eles gostam de observar visitantes.

— Ele também tem muitos olhos? — perguntou Kisai, ainda desconfiada.

— Não, só cara de julgamento.

Kisai soltou um som entre um bufar e uma risada nervosa.

— Bom saber.

Endra observou a filhote por mais um instante. Havia algo... fora do lugar ali. Não medo do perigo — Kisai tinha enfrentado hienas só observando — mas um tipo de desconhecimento que não combinava com alguém da savana.

Antes que pudesse perguntar qualquer coisa, o rugido de Thadi ecoou entre as árvores.

Endra virou-se no mesmo instante.


— Finalmente te encontrei, forasteiro! — Rosnou o rei dourado, surgindo entre os arbustos. — Quem é você e o que faz aqui?!


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OLÁ TERRÁQUEOS, SAUDAÇÕES )0)

Sua alienígena favorita está de volta. Turu bom com vocês? Espero que sim -w-

Woo, terminei essa bagaça )0)

Gostaram dessa reescrita? *wink wink; nudge nudge*

Tentei não mudar muitas coisas, mas é inevitável quando se está reescrevendo tudo. Ah, bem...

Por hoje é só. Espero que tenham gostado. Um beijo da Nathy, fiquem com Kami e bye -3-